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Nova Caledônia: a colorida ilha do Pacífico ainda desconhecida dos brasileiros

Por Marcello Oliveira

Entre as belezas e os mistérios de lugares quase desconhecidos espalhados pelo Pacífico Sul, está a Nova Caledônia, um arquipélago descoberto pelo navegador britânico James Cook, no século XVIII, mas que pertence à França e está encravado a cerca de dois mil quilômetros ao norte da Nova Zelândia e 1500 km ao leste da costa da Austrália.

Em novembro de 2018, a Nova Caledônia disse não à independência da França em um referendo popular. Com praias paradisíacas, a Nova Caledônia ainda é um destino desconhecido dos brasileiros, tanto pela distância quanto pelo preço, mas para quem busca um roteiro diferente e a garantia de visitar lugares de tirar o fôlego e uma cultura vibrante, esta região, de 270 mil habitantes, certamente irá fazer você ter férias inesquecíveis.

Além das praias, outros pontos de destaque do arquipélago são a gastronomia e o amável povo canaco, como são chamados os locais. A Nova Caledônia possui a segunda maior barreira de corais do mundo e várias lagoas que são Patrimônio Mundial da UNESCO.

Se os brasileiros ainda não descobriram esta maravilha, os australianos são bem frequentes por aqui, incentivados pela distância. A grande variedade de roteiros turísticos a partir da Austrália acaba conquistando os brasileiros que estão visitando o maior país da Oceania.

As ilhas que formam o Estado são tradicionais pontos de paradas de cruzeiros marítimos, alguns que estão a caminho da ilha de Fiji – quase sempre vindo da Austrália ou Nova Zelândia. Brasileiros são raros nessas ilhas do Pacífico e, por isso, quando um de nós chega por lá, viramos uma atração para os locais.

Ilha de Maré

Maré é uma das ilhas mais visitadas por turistas e a segunda maior ilha da Nova Caledônia. Estando lá, a dica é se juntar aos locais. Em Maré moram sete mil pessoas e a maioria carrega os traços físicos típicos dos povos desta parte do planeta, algo parecido com uma mistura de aborígenes australianos com havaianos, resultado de uma miscigenação de etnias ao longo dos séculos, mas com as peculiaridades do povo da Nova Caledônia: usam roupas coloridas, são alegres e cantam o tempo todo. Adoram agradar os visitantes e fazem uma comida deliciosa.

Foi lá que experimentei a bougna, uma receita local preparada com um ritual todo especial. Para começar, não se usa panela e nem fogão. A base é frango ou peixe que são embalados em folhas de bananeira e coqueiro junto com ervas para temperar e leite de coco natural, inhame ou batata doce e legumes. A “embalagem” é assada em um forno natural, na terra, coberto com pedras e folhas. Como o povoado é formado basicamente por locais que preservam a cultura e a tradição do país, é comum vermos as moradias tradicionais, que mais se parecem ocas indígenas.

Um local em sua casa com trajes típicos.

Visitamos uma delas. O telhado é, na verdade, uma cobertura feita apenas com folhas. A ilha conta apenas com um hotel e o pequeno aeroporto mantém operações apenas para outras ilhas da Nova Caledônia feitas em pequenas aeronaves.

O aquário natural ao sul de da ilha é o melhor lugar para os amantes de snorkeling que procuram nadar no meio de incontáveis peixes multicoloridos. As praias de Wabao e Kurine possuem areias super brancas e são um convite ao descanso debaixo dos coqueiros. Ao entrar no mar, cuidado com os corais. Um calçado especial é recomendado para evitar sustos.

Lifou

O diferencial desta ilha são as paisagens diversificadas que vão desde as longas praias de areia branca às cavernas e falésias banhadas por águas cristalinas. Lifou também oferece pontos de mergulho espetaculares e trilhas para caminhadas. A ilha é cheia de contrastes marcantes. A grande variedade de sítios naturais encoraja os visitantes a descobri-los, seja numa caminhada ou em mergulhos.

Ilha de Lifou.

Por ser uma ilha pequena, é possível explorá-la muito bem caminhando e conhecer lugares espetaculares. Um dos passeios mais recomendados é a pequena vila da tribo Hunete. Aproveite para fazer um mergulho nas águas de impressionante cor azul-turquesa. A cor do mar e das lagoas na Nova Caledônia é algo que nos impressiona a todo o momento. Não deixe a ilha sem visitar uma plantação de baunilha. A baunilha de Lifou é considerada uma das melhores e mais puras do mundo.

Nouméa

Chegamos à capital da Nova Caledônia, onde nem lembramos que estamos em uma ilha por causa das características urbanas comuns a qualquer cidade de mesmo porte, de pouco menos de 100 mil habitantes.

Rua no centro da capital, Nouméa: navio no Porto se confunde com os prédios.

Vista do centro de Nouméa.

Mas basta sair do centro de Nouméa para ter noção que ainda é parte da Nova Caledônia.

Estrada em Nouméa.

A cidade é contemplada com vários parques e jardins. Uma boa dica é conhecer o zoológico e o parque florestal, localizado na parte alta da cidade, para conhecer espécies raras que são só encontradas nesta parte do planeta, como os morcegos gigantes, conhecidos como raposas voadoras.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a forte presença dos americanos em Nouméa transformou o país e trouxe grande avanço naquela época. Toda a história é contada no Museu da Segunda Guerra, com um rico acervo de época. Você pode aproveitar o dia em uma das praias bem próximas ao centro de Nouméa ou então pegar um ferry e atravessar cinco quilômetros para a Ilha dos Patos e curtir a praia de água cristalina e muito utilizada para quem quer fazer mergulho ou praticar outros esportes aquáticos. À noite, as opões vão de bares e restaurantes bem animados na beira-mar até um dos dois cassinos da cidade.

A Nova Caledônia é um paraíso, uma bela surpresa pela variedade e pelos espetáculos da natureza e você merece conhecer um dia. Pouco antes do referendo de 2018, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou: “A França seria menos bonita sem a Nova Caledônia.” E ele tem toda a razão.

Como chegar

A maneira mais usada é via Austrália, com voos diretos e diários a partir de Sydney, mas há voos para a Nova Caledônia também a partir de Auckland, na Nova Zelândia e Tóquio.

Também há opões de cruzeiros marítimos a partir de Sydney ou Auckland. Minha opção foi via Austrália, de onde segui em um navio de cruzeiro até a Nova Caledônia. A partir de Sydney, foram três dias de navegação até a Nova Caledônia, três dias no país e outros três dias navegando de volta a Sydney.

Navio de cruzeiro ancorado na Ilha de Maré.

A melhor dica é: fique pelo menos três dias completos em Sydney descansando da longa viagem de avião entre Brasil e Austrália e se acostumando com o fuso horário de 14 horas. Só depois pegue o navio.   

Sinta-se lá 

O filme “A Rebelião” (2011) mostra a Nova Caledônia de 1988, quando 30 policiais são mantidos reféns por um grupo pró-independência do país. Soldados franceses chegam para tentar restaurar a paz e dois homens são colocados frente a frente: o capitão do grupo e o chefe dos sequestradores. 

Já “O Fruto do Pecado” (1956) narra um complicado romance que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Nova Caledônia era o local de treinamento das tropas americanas. Uma viúva de um paraquedista chega a Nouméa para entender como seu marido morreu e acaba se apaixonando por um tenente-coronel. 

Quando ir 

 É um país quente o ano todo. Dificilmente a temperatura fica abaixo dos 18°C, mas a chuva é constante, porém costuma durar pouco. Os meses menos chuvosos são setembro e outubro. Quer saber mais? É só dar o play!