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Santiago: a mais europeia das capitais sul-americanas

Por Marcello Oliveira

Durante os quatro anos em que morei na Austrália, vinha com frequência ao Brasil. Inclusive aproveito para dizer que ser turista no seu próprio país é ótimo, a gente enxerga tudo de outra maneira. Essa experiência por si só já vale um texto futuramente. Mas nessas idas e vindas, o Chile quase sempre fez parte do meu caminho. É a rota mais rápida para se viajar da Austrália ao Brasil, fazendo o voo interpolar operado pela Qantas e pela Latam, que cruza o Oceano Pacífico pelo sul margeando a Antártica. Antes de minhas frequentes conexões no Chile, já havia ido à capital do país em duas oportunidades a turismo.

Mas basta ir uma única vez a Santiago para entender o motivo de esta cidade ser conhecida como a mais europeia das capitais sul-americanas e este é só um dos motivos que a faz ser um dos destinos internacionais mais procurados pelos brasileiros.

Outro atributo que a faz ser popular entre nós é a curta distância. Apesar de ser um dos dois únicos países da América do Sul que não faz fronteira com o Brasil, o Chile está a uma curta distância de avião: quatro horas saindo de São Paulo. Além disso, há uma grande oferta de voos diários de várias companhias aéreas e, por isso, não é difícil achar opções com preços bem atrativos.

O clima bem definido, uma ampla possibilidade de atrações no inverno, uma gastronomia criativa… enfim, são vários motivos que nos faz turistar pela capital chilena. Não posso deixar de dizer que uma das atrações do Chile começa ainda na viagem. Para isso, marque seu assento na janela, de preferência no lado direito da aeronave, e você terá uma das aproximações mais lindas do mundo: a Cordilheira dos Andes com os cumes brancos de neve, bem ali, ao seu lado.

Santiago: a mais europeia das capitais sul-americanas

A atração começa ainda em voo, antes do pouso em Santiago

Mas se você só tem um dia para visitar a cidade, como é o caso de passageiros em conexões de voo, principalmente para Austrália e Nova Zelândia, que dependendo do voo, te obriga a passar quase 24 horas no aeroporto, não deixe esse tempo “perdido” passar em branco. Vá turistar pelo centro da cidade. A distância do terminal aeroportuário ao centro é de 25 km e há ônibus direto. Neste caso, priorize o centro da cidade.

Se você é do tipo “mais prático”, compre o passe do tradicional ônibus de turismo “Hop-on Hop-off”, que tem dois andares, sendo o topo dele aberto. Ele tem 13 paradas estratégicas e você pode descer em quantas quiser. Os ônibus passam de 30 em 30 minutos.

Mercado Central de Santiago

Mercado Central de Santiago

Se estiver com fome, não deixe de conhecer o Mercado Central de Santiago. Ele funciona em um prédio de 1872, que é Patrimônio Histórico. Foi considerado pela National Geographic como um dos cinco melhores mercados públicos do mundo. Além dos diferentes mariscos, peixes e frutos do mar (o mais famoso é o caranguejo gigante, conhecido como Centolla, típico da região), você tem acesso a todo o variado cardápio gastronômico do Chile em um único lugar. Uma pena que os preços não são convidativos, mas é uma parada indispensável a qualquer turista no centro de Santiago. Só para se ter uma ideia, uma Centolla, dependendo do tamanho, pode custar até R$ 300. Se quiser economizar no almoço, nas ruas do centro há diversas opções mais simples, mas muito boas e bem mais baratas do que no mercado. O destaque lá são as famosas empanadas, mas se a fome for maior, experimente a paella chilena.

Não deixe de experimentar

Seja no mercado ou em qualquer outro lugar, os drinques chilenos fazem parte do passeio. O mais famoso é o Pisco Sour, tendo o Pisco – um destilado de uva com grande teor alcoólico – como base. Essa tradicional bebida chilena mistura o pisco com suco de limão puro e açúcar, mas é comum variar os sabores, trocando o limão por outra fruta como a manga ou o maracujá.

Outra variação é a Piscola, que troca o suco de fruta por Coca-Cola. Porém, a minha bebida preferida foi, sem dúvida, o ‘Mote Com Huesillo’ e, por incrível que pareça, não leva uma gota de álcool sequer. Ele leva trigo e pêssego cozidos e um caldo caramelado. É servido extremamente gelado e é vendido, além do mercado, em barraquinhas pelas ruas do centro e nos parques da cidade. Inclusive é tradição tomar um copo de Mote Con Huesillo enquanto se aprecia a vista no alto do Cerro San Cristóbal.

A melhor vista da cidade

Este é, inclusive, a minha segunda dica de Santiago. O Cerro San Cristóbal está aos pés do badalado bairro Bellavista, ainda na zona central da cidade. Ao lado do Cerro Santa Lucia, foi o lugar que mais gostei de conhecer na capital do Chile. Logo na entrada, você pode pegar o funicular (um tipo de bondinho) para subir até o Santuário da Imaculada Conceição, onde há uma imponente imagem da Virgem, um cruzeiro e um mirante com uma linda imagem da cidade.

Na verdade, posso dizer com total certeza que é o ponto mais bonito da cidade. No meio do caminho, o funicular para na estação zoológico. Isso pelo fato de existir um zoo dentro do parque, aberto à visitação pública. A dica é visitar na parte da manhã para aproveitar o resto do dia nas demais atrações do cerro e também para ver os animais acordados. Outra opção bem interessante é subir ao topo do cerro no teleférico, que você embarca pelo Bairro Providência.

O colunista no alto do Cerro San Cristóbal

O colunista no alto do Cerro San Cristóbal

Outra atração indispensável no centro é a Plaza de Armas, onde você pode visitar os prédios históricos em seus arredores, como a Catedral Metropolitana, que é lindíssima, por sinal. O contraste formado pela construção histórica da igreja com um moderno prédio comercial com a fachada toda de vidro, localizado ao lado, dá um charme especial ao local.

Após a Catedral, vá ao Palácio La Moneda, sede presidencial do Chile. Atente-se para acompanhar a troca de guarda, que atrai os turistas a cada dois dias. A cerimônia ocorre sempre às 10h, em dias da semana, e às 11h, aos fins de semana. O palácio também recebe visitantes em um tour guiado, que deve ser agendado com antecedência.

Se tiver mais tempo na capital do Chile, vá ao Cerro Santa Lúcia, que não é tão alto quanto o Cerro San Cristóbal, mas terá a melhor vista da Cordilheira dos Andes.

Plaza de Armas

Catedral de Santiago na Plaza de Armas

Se você estiver visitando Santiago no inverno, o roteiro é outro. Priorize os bons restaurantes, como o Giratorio, um dos mais cobiçados da cidade. Ele fica no 18º andar de um edifício no bairro Providência. No topo do prédio, ele gira em torno do seu eixo, o que permite ao cliente uma visão de 360º da cidade e da Cordilheira dos Andes, graças às suas paredes envidraçadas. Mas não se preocupe, pois o movimento é bem lento, quase imperceptível e você não irá enjoar nem ter tonturas.

A especialidade da casa são as carnes, mas o cardápio também contempla massas e frutos do mar. Um jantar completo, com entrada, prato principal, sobremesa e uma bebida, sai por volta de R$ 170 por pessoa. Há pratos executivos no almoço, com entrada, prato principal, uma taça de espumante e sobremesa, por um valor mais convidativo, cerca de R$ 90.

Por fim, na época mais fria, não deixe de ir ao Valle Nevado. Ele está distante apenas 40 km do centro de Santiago, mas está no alto dos 3.200 metros de altitude da Cordilheira dos Andes. Apesar da curta distância da cidade, chegar lá é complicado. Primeira dica: não vá dirigindo. Mesmo que tenha alugado um carro, não o use para subir. Nos dias de temperaturas mais severas, o uso de correntes nos pneus pode ser obrigatório e dirigir na neve exige muita perícia dos motoristas. É melhor vencer a sinuosa estrada com um motorista experiente na região e que o deixará na estação de ski em cerca de 1h30 de viagem. O transfer particular custa cerca de R$ 150 (ida e volta). Mesmo que você não vá esquiar, o incrível visual já vale a pena a viagem. Inclusive, o visual é o principal motivo de se subir ao Valle para a maioria dos visitantes. Tomar um chocolate quente é aconselhável.

Com mais tempo no Chile, que tal ir até Valparaíso e Vinha Del Mar e pegar uma praia no Pacífico? É uma ótima dica, mas que vai ficar para outra coluna.

Vista parcial do Cerro San Cristóbal

Vista parcial do Cerro San Cristóbal