Todos

Cracóvia: veja por que conhecer esta simpática cidade polonesa

Marcello Oliveira

O destino de hoje nesta coluna é pra lá de especial: a segunda maior cidade da Polônia e que se destaca pela organização e por seu povo amável. Então, seja muito “bem-vindo” à Cracóvia: veja por que conhecer esta simpática cidade polonesa.

Situada às margens do rio Vístula (Wisla), esta cidade de quase 800 mil habitantes está um pouco fora do radar dos turistas brasileiros, mas não deveria estar. É um dos centros de arte e cultura do país e está repleto de belos edifícios, mas também há um lado mais legal e uma fascinante história recente para descobrir.

Cracóvia: veja por que conhecer esta simpática cidade polonesa

Cracóvia é a terra do Papa João Paulo II (hoje santo), que morreu em 2005 e também é a cidade que serve como base para quem quer visitar os campos de concentração nazistas (Auschwitz e Borkenau), no interior da Polônia. Inclusive estive visitando os campos um dia antes da visita oficial do Papa Francisco ao local, aproveitando que ele estava em Cracóvia para a edição de 2016 da Jornada Mundial da Juventude. Ainda neste texto, vou abordar mais sobre a visita aos tristes locais que marcam o período do nazismo.

O colunista em frente ao Santuário de João Paulo II

Abaixo, algumas razões pelas quais a gente se apaixona por Cracóvia:

Arquitetura

A bela arquitetura da cidade é um apelativo convite para visitar Cracóvia. Além das muralhas da cidade, você encontrará trechos de concreto da era comunista, mas toda a cidade velha foi listada como Patrimônio Mundial da UNESCO. Está repleto de uma mistura de igrejas góticas, renascentistas e barrocas, torres, arcos e praças de paralelepípedos.

Cracóvia: veja por que conhecer esta simpática cidade polonesa

E bem no coração da cidade velha de Cracóvia fica a praça principal, Rynek Glowny. É a maior praça de mercado da Europa e em um dia ensolarado de início de verão estava cheia de barracas de flores, vendedores de bagels e pessoas em passeios de cavalo e carruagem. Estava quente o suficiente para pegar uma mesa em um dos cafés ao redor da praça e sentar com os amigos para uma cerveja. Entre os bares, pode se optar pelo Hard Rock Cafe, que é um dos destaque da praça.

De um lado da praça está a Basílica de Santa Maria, construída em 1397 e famosa por seu retábulo de Veit Stoss esculpido em madeira e um teto incrível pintado em azul escuro e dourado para se parecer com o céu noturno.

Do outro lado da praça fica o salão de Sukiennice, com um mercado coberto embaixo e um museu em cima, e a Torre da Prefeitura. Na verdade é tudo o que resta da antiga prefeitura de Cracóvia e você pode subir até o topo e observar a praça a 70 metros de altura.

História

Um dos meus passatempos favoritos nas viagens é ouvir e ler histórias do local a partir dos nativos e de livros de história. E o que mais se tem em Cracóvia é história. Cada canto, cada esquina, cada rua… não há um único lugar na cidade que não remeta à um pedacinho sequer que seja da história.

Cracóvia teve uma história longa e bastante dramática. Diz a lenda que no século 13 foi fundada no local do covil de um dragão depois que um príncipe polonês o derrotou e construiu um palácio no topo. Esse palácio é o Castelo Wawel e você ainda pode ver um dragão cuspidor de fogo sob suas paredes (embora este seja feito de bronze e cuspa fogo regularmente a cada cinco minutos).

Cracóvia: veja por que conhecer esta simpática cidade polonesa

O Castelo de Wawel foi o lar dos reis da Polônia e é um dos maiores castelos reais da Europa, um enorme complexo com uma mistura de estilos à medida que cresceu ao longo dos anos – adicionando uma torre aqui e uma cúpula dourada ali. Há cinco seções diferentes do museu que você pode visitar, bem como os jardins e a catedral onde o Papa João Paulo II foi arcebispo antes de se tornar Papa.

Cracóvia entregou o cargo de capital polonesa a Varsóvia em 1596 e mais tarde foi disputada pelos impérios russo, prussiano e austríaco. Mas é o período da história em torno da Segunda Guerra Mundial que a maioria das pessoas conhece melhor Cracóvia. A cidade foi invadida apenas cinco dias após o início da guerra e tornou-se a capital do governo central alemão.

Os nazistas tomaram o Castelo de Wawel e forçaram os residentes judeus primeiro em um gueto e depois os enviaram para campos de concentração como Auschwitz nas proximidades. Foi um período sombrio da história para Cracóvia, mas houve alguns pontos de luz, como a história de Oskar Schindler.

Schindler dirigia uma fábrica de esmaltes em Cracóvia que empregava mais de 1.000 judeus. Quando as autoridades alemãs começaram a limpar os guetos, ele argumentou que precisava que seus funcionários continuassem trabalhando na fábrica. Assim, ele foi autorizado a realocar sua equipe judaica para uma nova fábrica, salvando 1.200 deles da morte nas câmaras de gás.

Campo de concentração nazista de Auschwitz

Ele gastou toda a sua fortuna em subornos e no mercado negro para mantê-los vivos, e sua história foi transformada no filme. A Lista de Schindler (alguns dos quais foram filmados nas proximidades). Sua antiga fábrica foi transformada em museu. É mais sobre a história de Cracóvia sob ocupação – que é fascinante por si só – mas também há uma seção sobre Schindler e as pessoas que ele salvou.

As pessoas

Não é raro visitar cidades europeias onde você sente que os turistas mal são tolerados, mas na Polônia é diferente. Todos os poloneses que conheci em Cracóvia foram amigáveis ​​e acolhedores. Eles te encorajam a explorar a cidade, seja caminhando, de bike, de segway ou utilizando o eficiente transporte público da cidade.

Além da simpatia geral, tive vários momentos de destaque durante a visita a Cracóvia. O jovem casal polonês que abriu sua casa para receber jovens peregrinos que estavam acompanhando a programação do Papa na Jornada; o motorista de ônibus que saiu de seu intinerários normal para nos deixar mais próximo do destino, das sorridentes e bem humoradas polonesas que se juntaram ao grupo de brasileiros para dar dicas preciosas da cidade.

Comida e bebida

Eu não sabia muito sobre o que comer em Cracóvia quando decidi visitar a cidade. Inclusive levei um susto ao chegar na cidade de trem, pela estação principal e dar de cara com caixas empilhada de Guaraná Jesus. Sim, aquele mesmo do Maranhão. Por algum motivo ele era distribuído na Polônia.

Mas fomos apresentados a algumas outras especialidades locais, como zapiekanka (uma espécie de pizza de baguete) e obwarzanek (um bagel fino). Também experimentamos comida polonesa tradicional, como panquecas de batata com molho cremoso de cogumelos.

A reputação de cidade para solteiros de Cracóvia pode fazer você pensar que são apenas jarros e mais jarros de cerveja e lotados pubs irlandeses. Mas encontramos mais algumas preciosidades discretas na cidade velha – coquetéis criativos na Movida e uma tábua de degustação de diferentes sabores de vodka na Wódka. Mas para a melhor vida noturna você precisa ir ao bairro judeu de Kazimierz. O centro hipster de Cracóvia é o tipo de lugar onde você pode beber em um bar onde cada mesa é uma velha máquina de costura Singer, com muitos pontos de bebidas peculiares.

Bar no bairro de Kazimierz tem uma máquina de costura em cada mesa

Dinheiro

Quando se trata de arquitetura e cultura, Cracóvia está lá em cima com lugares como Praga e Viena, mas a grande diferença que notamos são os preços. Não é um destino de orçamento ultra-barato, mas é um daqueles lugares onde o seu dinheiro acaba rendendo mais.

A acomodação em hotel categoria turística é bem razoável ($$). Um apartamento custa cerca de € 55 por noite para até quatro pessoas, mas você também pode encontrar quartos em hotéis de quatro e cinco estrelas por cerca de € 120 por noite.

Uma refeição em um restaurante sofisticado custa cerca de €36 cada, e uma refeição tradicional polonesa em torno de € 24.

Ambas incluindo dois pratos, vinho e taxa de serviço. E isso foi na cidade velha, onde as coisas são mais caras. Grande parte da alegria de uma viagem a Cracóvia é passear por essas belas ruas, mas se você quiser visitar museus, não vai se arrepender.

A entrada na Town Hall Tower era gratuita no dia em que visitei, mas normalmente custaria 9 Zloty (€ 2), e as diferentes seções do Castelo Wawel e da Fábrica de Schindler custavam apenas 20 Zloty (€ 4,50) cada. A economia nas refeições e atrações turísticas, nos encorajam a adicionar alguns extras como transferências privadas para o aeroporto em vez de pegar o trem, tornando a viagem um pouco mais cômoda.

Filho ilustre da cidade, Papa João Paulo II é lembrado o tempo todo. Basta perguntar nos hotéis que eles te indicarão com grande orgulho o museu dedicado ao ex-papa. Lá estão peças raras, entre ela a túnica que ele usava quando sofreu o atentado em 1981 na praça de São Pedro Vaticano.

Cracóvia é muita história, muita emoção e muitas boas lembranças.

Vestes usadas por João Paulo II no dia do atentado no Vaticano exposta ainda com manchas de sangue do pontífice

Vestes usadas por João Paulo II no dia do atentado no Vaticano exposta ainda com manchas de sangue do pontífice