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Manaus: do imponente teatro à selva amazônica

Por Marcello Oliveira

Manaus é daquelas cidades que aguçam nossa curiosidade. Pelo menos sempre foi assim comigo. Como pode uma metrópole de 2 milhões de habitantes estar encravada no meio da selva amazônica? Algumas questões sobre a capital do Amazonas sempre estiveram em meu imaginário, até que eu resolvi descobrir isso pessoalmente, em uma viagem de cerca de uma semana. “Será que lá pega bem o sinal de internet?”, “Será que há um bom asfalto para os carros ?”, “Será que consigo comprar uma TV mais barata na zona franca?”, “será que uma cidade erguida no meio da floresta tem tudo o que tem nas capitais do Sudeste?”.

Manaus

Sim, meus caros, eram perguntas de marinheiro de primeira viagem e para as quais eu estava prestes a descobrir as respostas. Eram questões até mesmo tolas, mas pelo menos eu já sabia que o risco de encontrar uma onça em uma ida ao restaurante ou um indígena nu em um supermercado era praticamente inexistente. Brincadeiras à parte, a minha grande vantagem é que meus guias em Manaus seriam dois amigos que já moravam há anos na cidade.

No meu imaginário, Manaus era uma uma cidade longe, inalcançável, isolada… e fui pensando nisso durante o voo até lá, até que o comandante anunciou que estava em procedimento de descida para aproximação no Aeroporto Eduardo Gomes. Como foi rápido! A umidade do clima é a primeira coisa que observamos, ainda antes de sair do avião. No desembarque, as boas vindas são dadas por tartarugas amazônicas que moram em um tipo de viveiro com tanques na frente do terminal de passageiros. Bem original!

Confesso que eu esperava algo bem menor, mas Manaus me surpreendeu. Eu tinha, erroneamente, uma visão de uma cidade subdesenvolvida.  Mas eu estava errado! A capital amazonense é uma cidade cosmopolita, com um porto movimentado, casas coloniais e uma majestosa construção no centro que chama a atenção de todos: o Teatro Amazonas. O lugar é sinal de sua era próspera. Do final do século 19 ao início do século 20, Manaus foi um grande produtor de borracha natural, resultando na criação do porto. Infelizmente, o boom da borracha foi de curta duração e a cidade enfrentou um declínio na década de 1920. Hoje, Manaus é um grande porto e também uma atração para turistas brasileiros e estrangeiros. A cidade ainda é o lar de uma contundente parcela de trabalhadores de outros estados que chegaram ao Amazonas atraídos por boas ofertas de trabalho, seja na indústria de eletroeletrônicos, na montagem de motocicletas ou por concursos públicos.

O que fazer em Manaus?

Primeiro é importante dizer que desde o início eu não pretendia passar uma semana apenas em Manaus. Mas, ao mesmo tempo, me dei conta que uma semana para viajar pelo Amazonas é muito pouco tempo devido às grandes distâncias entre uma cidade e outra, sempre percorrida por barco pelo rio Amazonas.

Mas deu para fazer uma pequena viagem ao interior em um barco privado, que vou relatar mais adiante.

Teatro Amazonas

O Grande Teatro Amazonas é uma construção imponente e que está em pleno funcionamento até hoje. Ele está localizado no Centro Histórico de Manaus, no Largo de São Sebastião. Foi inaugurado em 1896 para atender ao desejo da elite amazonense da época, que idealizava a cidade à altura dos grandes centros culturais do mundo.      

Manaus
De estilo renascentista, sua estrutura externa com os detalhes únicos na sua cúpula tornou-se um dos monumentos mais conhecidos do Brasil e, consequentemente, o maior símbolo cultural de Manaus, além de uma das expressões arquitetônicas responsáveis pela fama da cidade como “
Paris dos Trópicos”. Por ser uma obra singular no país e representar o apogeu de Manaus durante o ciclo da borracha, foi tombado como Patrimônio Histórico Nacional pelo IPHAN em 1966.

Apesar de histórico, ele segue em pleno funcionamento, recebendo cerca de 290 mil visitantes por ano que acompanham apresentações de orquestras, óperas, festivais musicais, etc. As atrações costumam ter entrada gratuita, mas as que são pagas custam no máximo R$ 100 em um dos camarotes.

Ao redor da praça onde está o teatro, há agentes que vendem passeios, prometendo o avistamento de botos cor-de-rosa, tribos indígenas e piranhas. Há opções ainda mais “exóticas”, em que você pode deixar a nobre área da metrópole direto para a selva em uma imersão de cinco dias em uma viagem de sobrevivência na Amazônia, dormindo em uma rede, comendo insetos e bebendo seiva das árvores (além de comer macarrão e javali), e aprendendo sobre plantas medicinais. Há também passeios mais curtos, onde você pode pescar piranhas e dormir em uma pousada.

Experimente as iguarias locais

Estar na bacia Amazônia significa que ter peixes abundantes ao redor. Os restaurantes que vendem o peixe local estavam cheios de moradores e turistas. Se você gosta da iguaria, vai adorar experimentar o tambaqui, o peixe símbolo da Amazônia. Cai muito bem com uma caipirinha. A gastronomia amazônica também te serve o tucupi, além de diferentes peixes e aperitivos, como a unha de caranguejo. Você pode ficar uma semana comendo pratos diferentes  do cardápio.

Veja o Rio Amazonas

Uma das atividades mais populares em Manaus é fazer um passeio de barco pela Amazônia.  Se você não tem muito tempo ou apenas prefere conhecer o poderoso rio Amazonas, você pode fazer um passeio pelo rio Amazonas durante o dia para ver o rio.  O Encontro das Águas é o ponto onde o Rio Negro se encontra com o Rio Amazonas, cortando a água entre um castanho-amarelado e um preto.

O encontro das águas em Manaus

O encontro das águas

Cada rio tem sua própria densidade e velocidade, e observar a diferença de cores definitivamente vale a pena. Além disso, você pode navegar na Amazônia, avistar os lírios gigantes, as vitórias-régias e os jacarés nas margens.

Embarquei no Porto do Hotel Tropical, em uma lancha privada para uma viagem que durou um dia inteiro, mas que rendeu bastante. Foi uma aventura. Navegamos em direção ao antigo hotel Ariau, o maior hotel de selva do mundo e que hoje é apenas uma construção abandonada no meio do nado. Porém, na travessia, pegamos uma forte tempestade no rio que preocupou até mesmo o nosso experiente piloto. Vale lembrar que na saída de Manaus, passamos por postos de combustíveis flutuantes. Visitei um deles. Era um posto de gasolina Ipiranga, que funcionava em uma grande embarcação, seguindo o mesmo layout  dos postos convencionais, inclusive com uma loja de conveniência AmPm. Não precisamos abastecer, mas comprei gelo para as bebidas a bordo de nosso barco. Pouco mais adiante, passamos por dois indígenas em uma canoa artesanal e a remo que levavam um bicho preguiça e uma cobra de quase dois metros para visitantes tirarem fotos em troca de algumas moedas.

A pausa do almoço foi em um restaurante flutuante no município de Iranduba, a cerca de duas horas de navegação da capital. Após o almoço, fui encorajado a pescar junto com um grupo que ali tentava a sorte de conseguir um peixe.

Visitando uma aldeia indígena

Em outro município vizinho, fomos a uma aldeia indígena. Conhecemos a horta comunitária e a oca, onde fizeram um ritual de boas vindas. Apesar dos traços típicos da comunidade indígena, a oca era um tanto quanto moderna, com energia elétrica. O cacique estava com um laptop aberto perguntando o e-mail dos visitantes para manter contato pela internet.

Aproveite a sua viagem de um ou dois dias para conhecer o bairro dos ribeirinhos do Amazonas, uma região só de casas flutuantes.

Já era quase noite quando a lancha nos deixa de volta no Porto privado do hotel.

Mercado municipal de Manaus

O Mercado Municipal Adolpho Lisboa é um bom lugar para encontrar artesanato e aperitivos. O estabelecimento vende tudo o que você espera encontrar em um mercado típico, incluindo um chapéu amazônico.

 

Manaus

Observe os insetos gigantes

Embora esteja a 20 minutos de ônibus da cidade, o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (conhecido como INPA) vale o percurso, especialmente se você não se aventurar muito na Amazônia (pelas águas).  Dentro deste museu, a Amazônia é recriada para você com insetos gigantes e outras criaturas da floresta. Este instituto ajuda animais órfãos e você poderá ver tartarugas e peixes-boi em seu habitat de floresta tropical. Você também pode comprar artesanato feito pelos nativos.

Conclusão

Se você tiver mais tempo, há cachoeiras a apenas duas horas de carro fora da cidade, em Presidente Figueiredo. Para aproveitar as atrações mais próximas da capital amazonense, indico pelo menos cinco noites na cidade.