Colunistas

Muito além do K-pop

Por Raphael Ursino

O destino de hoje tem sido destaque nos últimos anos devido à grande influência cultural que vem exercendo mundo afora, no cinema e, principalmente, na música.  Mas este lugar tem mais a oferecer. Muito além do K-pop. 

O famoso K-pop (abreviação de korean pop) se tornou um sucesso nas paradas mundiais, e no Brasil não é diferente. Isso sem falar das produções cinematográficas Parasita e Round 6, dentre outras. Este país está mais presente em nosso cotidiano do que pensamos, afinal de contas, é sede de grandes corporações, como LG, SAMSUNG, HYUNDAI E KIA, só para citar algumas. 

Mas fato é que este destino tem muito mais a oferecer e é isso que vamos mostrar hoje. Sim, estamos falando da Coreia do Sul, este pequeno país da Ásia Oriental e que tem como vizinhos o Japão e a China. Então, bora lá conhecer!  

Desembarcamos na capital Seul, uma metrópole internacional, e faz jus a isso. A cidade é efervescente, dia e noite. Ao andar pelas ruas, podemos perceber que ela oferece uma ótima infraestrutura para seus habitantes e turistas. Se você fala pelo menos um pouco de inglês, pode se comunicar sem nenhum problema, uma vez que em todos os pontos da cidade haverá sempre alguém pronto para responder “Yes, I do” toda vez que você perguntar “Do you speak english?”.  

Apesar de muito movimentada, relatos de violência e roubos são quase que inexistentes em Seul, portanto, ficamos tranquilos ao andar a pé, principalmente à noite.  

Em Seul é possível comer em um bom restaurante, comprar roupas e aproveitar as atrações da cidade sem muito problema, porque os preços não são muito altos. A minha sugestão é dar uma passada no mercado de Dongdaemun, onde você encontra uma infinidade de bugigangas com preços muito baixos, como roupas, relógios, eletrônicos, brinquedos e até ervas medicinais. 

Os longos corredores ficam sempre lotados de turistas, compradores, vendedores ou apenas curiosos, como no meu caso. Que tal presentear um amigo com algum souvenir da Coreia? Este mercado pode ser uma opção. 

 

Tradição e modernidade 

 

O rio Han Hangang, ao longo dos seus 500 km de extensão, divide a cidade ao meio. Na parte norte fica a região cultural e histórica, com palácios e museus. Já a região ao sul é a parte mais moderna da cidade e polo de compras, onde arranha-céus, letreiros luminosos, grandes lojas, galerias e shopping centers enormes que quase nunca fecham tomam conta da paisagem. Um formigueiro de gente frequenta esses lugares diariamente. É uma loucura! 

 

Olimpíadas e Copa do Mundo 

 

Uma prova de que a Coreia do Sul está em constante ebulição é o fato dela ser anfitriã de importantes acontecimentos internacionais, a exemplo dos jogos olímpicos de 1988, realizados em Seul, que atraíram milhares de pessoas do mundo inteiro e fez com que a cidade mostrasse de vez ao mundo a sua capacidade de realizar grandes eventos. 

Tive a oportunidade de conhecer a monstruosa estrutura do Parque Olímpico de Seul, e devo confessar que apesar de ter sido construída há 33 anos, é bastante moderna ainda nos dias de hoje.  

 

Entrada do parque olimpico de Seul

Entrada do parque olímpico de Seul

 

O Seul World Cup Stadium, construído especialmente para a Copa do Mundo de 2002 realizada na Coreia do Sul e Japão, também merece uma visita, principalmente se você for um amante do futebol, como eu.  

Fiz um tour pelo estádio e conheci o incrível museu do futebol que existe lá dentro. Toda a história da Copa do Mundo de 2002 é contada por meio de vídeos, painéis interativos, fotos, objetos, ingressos das partidas e muito mais.  

 

Seoul World Cup Stadium

Seoul World Cup Stadium

 

O museu possui também um painel cronológico com toda a história do futebol, desde os seus primórdios, além de exposições de bolas, chuteiras, camisas e diversos materiais antigos que pertenceram a jogadores de vários países. Há também uma área interativa, onde você pode brincar de ser goleiro ou atacante, tudo virtual.  

Se quiser levar uma lembrança do Seul World Cup Stadium, é possível comprar chaveiros, camisas, bonés e diversos outros souvenirs na lojinha do museu. Dentre as opções, a que eu mais gostei foi a réplica da taça da copa do mundo em miniatura, muito bem feita, de metal e tudo mais. Não pensei duas vezes e garanti logo a minha. O passeio no estádio é tão incrível que nem é preciso ser muito fã de futebol para gostar. 

 

Museu do futebol - Seoul World Cup Stadium

Museu do futebol – Seoul World Cup Stadium

 

 Troca da guarda no Palácio de Gyeongbokgung  

 

Um complexo rico em beleza arquitetônica que guarda bastante história. Assim é o Palácio Gyeongbokgung. E para completar a riqueza cultural do lugar, fomos surpreendidos com a bela cerimônia da troca da guarda, bastante tradicional. A cerimônia acaba sendo uma atração diária à parte, já que os guardas usam uma vestimenta antiga, que remete aos trajes da época do Rei Taejo, que reinou a Coreia do Sul por volta de 1395.

 

Troca da guarda no Palácio de Gyeongbokgung

Troca da guarda no Palácio de Gyeongbokgung

 

Parque Namsan e Torre de Seul 

 

No centro de Seul fica o parque Namsan, um belo mirante a 262 metros de altura, localizado numa área pública da cidade. Além da bela vista, o lugar conta ainda com diversas atrações, como um museu do urso Teddy e a curiosa parede de cadeados, que são colocados ali por casais apaixonados do mundo inteiro. Os cadeados ficam ali pra sempre e viram um artefato, digamos, exótico enfeitando o local. Ah, as pessoas jogam as chaves fora, claro.  

 

Parede de cadeados do Parque Namsan

Parede de cadeados do Parque Namsan

 

Mas a maior atração do parque é, sem dúvida, a Torre de Seul. Se você não se contentar somente com a vista que o parque lhe dá da cidade, pode subir mais 236 metros até o topo da torre. A melhor maneira de chegar até lá é de teleférico, mas com tempo e um bom preparo físico, é possível encarar a subida a pé.  

Nem preciso falar da vista de 360 graus lá de cima, né? Toda a grandiosidade dessa metrópole se curva aos seus pés. A torre de Seul tem diversas atrações como, por exemplo, o único restaurante giratório da cidade, que a cada 1 hora e 40 minutos, muda completamente a sua direção, possibilitando que os clientes tenham a vista completa de todos os ângulos. 

Há também um observatório todo digital, com telescópios de alta precisão, sem falar da lojinha de souvenirs onde você encontra, dentre as diversas lembrancinhas, a miniatura da própria torre. Será que preciso falar que eu comprei a minha? Não, né?  

 

 

Torre de Seul

Torre de Seul

Perdido no caminho 

 

Bom, depois de passar cerca de duas horas e meia curtindo a cidade lá das alturas, chegou a hora de voltar. Resolvemos descer a pé para curtir um pouco mais a paisagem noturna de Seul. Confesso que não foi uma boa ideia, pois acabamos errando o caminho e demorando horas para chegar ao centro da cidade. Mas, por fim, foi uma aventura emocionante, além de muito cansativa, claro. 

Já era noite, mas antes de descansar, ainda deu tempo de dar uma passada rápida na praça Gwanghwamun, que fica no centro de Seul. O local representa muito para a história, a identidade e a política da Coreia do Sul. Nela existe uma grande estátua de Sejong, o Grande, um antigo rei da Coreia, e que ficou conhecido também por desenvolver uma nova forma de escrita para melhorar a forma de se comunicar do povo coreano. 

 

Estátua de Sejong, o Grande, na praça Gwanghwamun

Estátua de Sejong, o Grande, na praça Gwanghwamun

 

Depois de algumas fotos, fomos para o albergue que, diga-se de passagem, era um minúsculo apartamento de dois quartos com beliches espalhados por todos os cantos. Até a sala servia de dormitório. Ficamos em um quarto com turistas da Tailândia, Filipinas e diversas partes da Europa e Estados Unidos.  

Depois de três dias em Seul experimentando novos lugares, culturas e também os sabores da capital sul coreana, chegou a hora de despedir dessa incrível cidade onde tudo acontece. Um povo que sabe utilizar bem a tecnologia de ponta, mas sem abrir mão das tradições. Templos budistas, palácios e santuários dividem espaço com enormes prédios, casas de shows, universidades e lojas, muitas lojas de tudo quanto é produto.  

O que eu achei de Seul? Uma cidade jovem, moderna, festeira e bastante diversa. Valeu a pena!