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Chimarrão: conheça curiosidades da bebida símbolo do Rio Grande do Sul

Cuia, bomba, água quente e erva-mate moída. Esses componentes fazem parte de um ritual que é tradição no Rio Grande do Sul: o chimarrão! Que, junto com o famoso churrasco gaúcho, representa bem nossos compatriotas da região Sul do Brasil.

 Sinônimo da amizade e hospitalidade do povo gaúcho, a bebida conhecida como mate amargo tem uma história repleta de lendas e curiosidades.

 Continue nesse artigo e saiba mais sobre a história e influência do chimarrão no Rio Grande do Sul. Para conhecer as belezas da capital desse Estado, veja todo o conteúdo especial do Conexão123 sobre Porto Alegre.

 

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Chimarrão: conheça a história da bebida gaúcha

O termo chimarrão vem da palavra castelhana “cimarrón” e foi adotado no Brasil graças à participação dos colonizadores espanhóis na história dos Estados do Sul. Curiosamente, representa um gado domesticado que voltou à vida selvagem ou um cão que se alimenta de caça.

Isso justifica a lenda de que o consumo da erva-mate como bebida teria surgido após um velho pajé pedir ao deus Tupã algo que lhe trouxesse mais energia e vivacidade, uma vez que estava cada vez mais velho e triste.

Com o pedido concedido, o indígena voltou a ser forte como um animal selvagem, mesmo na velhice, e sua preocupação passou a ser compartilhar a fórmula com seus sucessores.

Chimarrão conheça curiosidades da bebida símbolo do Rio Grande do Sul | Erva-mate | Conexão123

Erva-mate, usada para o preparo do chimarrão

 

Lendas à parte, no Brasil, a bebida foi herdada do povo indígena Guarani, que habitava o Estado do Paraná, e difundida pelos padres jesuítas espanhóis. Historiadores garantem que os Guarani eram famosos por sua força, vitalidade, alegria e hospitalidade, e tudo isso era atribuído ao consumo do “caá-i”, que significa “água da erva”.

A história conta também que o “caá-i” chegou a ser considerado como “erva do diabo” nas missões jesuíticas, por causa de seus efeitos afrodisíacos. Contudo, a erva-mate passou a ser cultivada e comercializada pelos jesuítas, movimentando a economia da região Sul no período do império e início da república. 

O consumo da bebida apenas foi liberado e até estimulado pelos jesuítas como forma de combater o alcoolismo entre índios, fazendo com que o chimarrão voltasse a ser consumido na região como era antes da colonização.

Assim como foi com os indígenas, o consumo do chimarrão é tradicionalmente feito em grupos: a cuia é compartilhada em meio a boas conversas e saborosas comidas típicas do Rio Grande do Sul, como o churrasco gaúcho, famoso em todo o Brasil.

 

Benefícios do Chimarrão

A fama conferida ao consumo do chimarrão tem uma explicação, pois a erva é rica em vitaminas B1, B2 e C, bem como em sais de cálcio, ferro, sódio e magnésio.

Alguns estudos consideram a erva-mate um estimulante geral, tanto da parte motora quanto da vegetativa. Além de ser responsável por auxiliar na digestão, diminuir a fome e sede, combater a fraqueza e até curar a ressaca.

E os benefícios não param por aí. Segundo o folclorista Luiz Carlos Barbosa Lessa, em seu livro: História do Chimarrão, a bebida ajuda a despertar funções de inteligência, tonificar o coração, diminuir a produção de ureia, auxilia na função renal e ainda combate cansaço físico e intelectual.

 

Chimarrão na culinária sulista

Além da erva tradicional, existem variações com sabores naturais como: menta com limão, uva com menta, abacaxi com hortelã, tutti-frutti, laranja com acerola, vendidas nos mercados da região.

O chimarrão ganhou tanta notoriedade no Brasil, que é consumido também em Estados do Centro-Oeste e até alguns Estados do Nordeste brasileiro.

A erva-mate também conquistou a culinária gaúcha, que de forma inusitada passou a produzir sorvetes, mousses, bolos, rapaduras, trufas, patês, pães, salgados e até pizzas utilizando o sabor peculiar da erva.

 

Chimarrão conheça curiosidades da bebida símbolo do Rio Grande do Sul | Mousse de Erva-mate | Conexão123

A erva-mate do chimarrão também é usada na culinária do Rio Grande do Sul

 

Assim como o cuscuz é tradicional no Recife, o pão de queijo em Minas e o acarajé na Bahia, o chimarrão faz parte da história, cultura e culinária do Rio Grande do Sul.

 

Chimarrão x tereré

Ambas têm como principal ingrediente a erva-mate, por isso, algumas pessoas acabam confundindo as bebidas, ou atribuindo ao tereré a qualidade de “chimarrão gelado”.

Porém existem algumas diferenças e a principal delas é que o tereré tem origem paraguaia, onde é bastante apreciado, sendo inclusive tão importante quanto outros símbolos culturais do país.

Outra diferença é que, no chimarrão, a erva-mate é mais fina e o preparo leva água quente, sem ferver, numa média de 65º C, o que dá à bebida sabor um pouco mais adocicado que o tereré, feito com erva-mate mais grossa, água gelada e bastante gelo.

Apesar das diferenças, ambos trazem no fundo, a história e cultura de um povo. E além do sabor, conferem alegria e união quando consumidos nas rodas de amigos e familiares.

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