Destinos afrocentrados no Dia da Consciência Negra - Blog 123Milhas
Destinos afrocentrados no Dia da Consciência Negra

Destinos afrocentrados no Dia da Consciência Negra

20 de novembro de 2021

No Brasil, o Dia da Consciência Negra é marcado por ações que buscam valorizar o passado e a cultura negra no país. O dia 20 de novembro é a data mais importante do ano para os movimentos de resistência contra o racismo. Com tanta busca pelo resgate da história, o afroturismo ganha força. Vem com a gente entender melhor sobre o assunto e conhecer destinos afrocentrados no Dia da Consciência Negra!

Hospedagens, viagens a lazer, intercâmbio e experiências locais de democratização para o fortalecimento da cultura negra são algumas das iniciativas centrais do afroturismo ao redor do mundo!

No entanto, ainda é preciso dizer que esse modelo alternativo de viagens não busca só oferecer trajetos que incluem desvendar as origens do povo negro. Fomentar espaços contemporâneos de cultura negra também são importantes, com destaque para empreendimentos liderados por negros para o “black money” girar cada vez mais entre os afrodescendentes.

Esse movimento engloba desde testes de DNA para identificar antepassados a relatos de viajantes negros. Bora conhecer alguns roteiros incríveis do turismo afrocentrado e descobrir mais sobre tudo isso?

Escultura de Zumbi dos Palmares, personagem- símbolo do Dia da Consciência Negra brasileira, no bairro do Pelourinho, em Salvador.

 

Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro é a segunda cidade brasileira com maior quantidade de pessoas que se declaram negras e pardas do Brasil. São 3 milhões ao todo. Ficando atrás apenas de São Paulo, primeira no ranking, com 4,2 milhões de pessoas.

No período do Brasil colônia, a capital fluminense recebeu milhares de africanos traficados para servir de mão de obra escrava nos canaviais e, depois, nas minas de pedras preciosas Brasil afora.

Naquela época, a estrutura portuária da colônia do Rio de Janeiro já havia ganhado destaque, principalmente, por conta do grande fluxo de pessoas traficadas e numerosas trocas comerciais. Desde então, o Rio de Janeiro pulsa a cultura e a influência afrodescendente em todos os cantos da cidade.

Contudo, por muitos séculos, a enorme contribuição histórica e cultural da população negro-africana carioca foi apagada e esquecida. Nas últimas décadas, a luta da população negra pelo respeito e valorização da cultura e história do povo negro avançou no Brasil.

O Rio de Janeiro também viveu o reencontro com patrimônios materiais e imateriais. Coloque esses lugares inesquecíveis no seu roteiro!

 

A Pequena África

Formada pelos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo, a Pequena África é o principal destino turístico afrocentrado no Rio de Janeiro. Essa zona portuária no centro da cidade era onde ocorria o mercado de pessoas escravizadas.
Com a abolição da escravatura, contava com grande população de escravizados libertos e comunidades quilombolas que continuaram vivendo e trabalhando por lá.

Atualmente, nessa região, começa o circuito turístico pelo Museu de Arte do Rio (MAR), localizado na Praça Mauá. O acervo abrange coleções de arte afro-brasileira, africana e quilombola. O espaço funciona de quinta a domingo, das 10h30 às 17h. De acordo com o site do MAR, o ingresso custa R$20.

Depois, siga até à Pedra do Sal, que era um dos locais de convivência dos negros daquele período e que mantém esse perfil hoje. Localizada no Largo João da Baiana, aos pés do Morro da Conceição, no bairro da Saúde, o lugar deu origem ao samba carioca e às escolas de samba. Então, separe as segundas-feiras para visitar a pedra e curtir as rodas de samba.

Aproveite também para conhecer a Igreja Negra, templo religioso e espaço de manifestações políticas. Outro lugar que você tem que conhecer é o Cais do Valongo, local de escavação arqueológica, reconhecido pela Unesco como patrimônio da diáspora africana – fenômeno caracterizado pela imigração forçada de africanos para fins da escravidão.

Esse porto é o que mais recebeu escravizados negros nas Américas. Nele, desembarcaram mais de 700 milhões de africanos sequestrados e forçados a trabalhar no Brasil entre 1774 e 1831.

O píer foi fechado com o fim da escravidão, rebatizado como Píer da Princesa por conta do desembarque da esposa de Dom Pedro II, Tereza Cristina de Bourbon, e a área foi até aterrada em 1911 para acabar com a memória do passado escravocrata. O cais foi descoberto com as obras de restauração do porto em 2011.

Perto do cais, um terreno também redescoberto foi o cemitério dos Pretos Novos, usado como vala comum para enterrar corpos de negros sem nenhum respeito, jogados junto ao lixo e animais mortos.

 

Salvador

Cidade de um povo arretado, 82% da população da capital baiana é composta por negros. A grande quantidade de afrodescendentes coloca Salvador no terceiro lugar entre as cidades brasileiras com maior presença negra. Como aconteceu no Rio, o afroturismo entrou para o circuito turístico, de verdade, bem mais tarde, apenas nos últimos anos.

Em 2019, a prefeitura do município começou o projeto de desenvolvimento do turismo étnico-afro, com a intenção de resgatar o protagonismo dos soteropolitanos negros, a reconexão com sua ancestralidade e o conhecimento de sua história marginalizada.
Sem dúvida, Salvador é muito mais que praia e carnaval. Conhecida como a Meca Negra, a capital baiana preserva, cada vez mais, a cultura afro-brasileira presente em grande parte dos atrativos e destinos turísticos da cidade. A tradição negra está nos seus blocos de carnaval, nas casas de candomblé, no famoso grupo Olodum, no Forte da Capoeira, entre outros locais e ícones de Salvador.

 

Um tour pelo Pelourinho

O famoso bairro Pelourinho, mais conhecido como Pelô, concentra centros culturais, blocos afros, teatros, museus, galerias de artes e muitas igrejas. Mas, antes de ser um bairro, essa era uma região conhecida por seus vários pelourinhos: isto é, colunas de pedras usadas para castigar e torturar escravizados no centro das praças e servir de exemplo para a população.

O Pelourinho fica no centro histórico de Salvador.

O pelourinho mais conhecido de Salvador ficava numa área chamada de Terreiro de Jesus, localizada no ponto mais alto da cidade. Tanto esse ponto de tortura quanto outros pelourinhos, espalhados nas praças Tomé de Souza e Castro Alves, estão concentrados hoje no bairro Pelourinho. Passe por lá!

No Pelourinho, o destaque é para a sede do Olodum, localizada na rua Gregório de Matos. E também para o Museu Afro Brasileiro da UFBA, criado para preservar e divulgar os acervos históricos e culturais africanos e afro-brasileiros.
Para quem quer aprofundar na cultura negra, as empresas dirigidas por pessoas negras Black Bird Viagem e Guia Negro oferecem passeios no Pelourinho, como a Caminhada Salvador Negra. A rota também inclui passar uma tarde em Itapuã. Entre tantos passeios pelas históricas ruas do Pelô, você tem que comer nos restaurantes Ó Pai Ó, Malembe, Roma Negra.

 

Praias

À beira-mar, o Solar da Unhão é um conjunto arquitetônico do século XVII, conhecido por integrar senzala, casa-grande, capela, cais e armazéns. Um dos principais destaques arquitetônicos é a capela Nossa Senhora da Conceição.
Construído por pessoas escravizadas na época da produção açucareira do Recôncavo baiano, o espaço já funcionou como fábrica e depósito. Nos anos 1940, o conjunto foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, em 1966, virou sede do Museu de Arte Moderna da Bahia.

Aproveite a viagem para dar também um mergulho nas águas transparentes da Praia da Gamboa e na Ilha de Maré, na Baía de Todos os Santos, bem próxima da capital. Faça passeio de pedalinho pela represa Dique do Tororó, onde estão localizadas 12 esculturas de orixás, monumentos das religiões afro-brasileiras.

Inclua o Dique do Tororó no seu roteiro.

Para fechar o circuito turístico étnico-afro em Salvador, acompanhe a programação de eventos dessa cidade pulsante, que abriga o maior festival de cultura negra do mundo, o Afropunk.

 

Minas Gerais

As cidades históricas de Minas Gerais são muito mais que várias igrejas, casarões antigos e ladeiras. Quando o pau-brasil e o açúcar deixaram de ser lucrativos para a colônia portuguesa, por conta da concorrência das colônias holandesas, o Ciclo do Ouro inseriu o interior no mapa da escravidão negra.

O trajeto da Estrada Real é rota indispensável para quem busca o resgate da história cultural dos povos escravizados e seus descendentes. Esse antigo percurso de escoamento de ouro, diamantes e outras riquezas abrange de Paraty, no estado do Rio de Janeiro, até o interior de Minas, passando por cidades como Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João Del Rey e Diamantina.
Leia também: Descubra a Estrada Real

 

Caminhada Chico Rei em Ouro Preto

Antiga capital de Minas e mais importante vila no Ciclo do Ouro, Ouro Preto, a cerca de 100 quilômetros de Belo Horizonte, já contou com a maior população da América Latina. Entre a multidão que tomou a região, grande parte era de pessoas escravizadas.

Ouro Preto foi a primeira capital de Minas Gerais.

A vida em torno da exploração do ouro lançou Ouro Preto para a construção de dezenas de igrejas que hoje são pontos turísticos da cidade. Cheia de ouro na parte interna, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar é uma das edificações católicas do período que você tem que conhecer em Ouro Preto.

Se tem um caminho repleto de história na cidade é a Mina de Chico Rei. Na verdade, Chico se chamava Galanga e era escravizado. Antes de ser enviado à força em um navio negreiro e ter sido vendido no Brasil, ele era o rei de uma tribo do Congo. Depois de trabalhar por anos nos túneis de Ouro Preto, Chico conseguiu comprar a própria liberdade e até a própria mina.

A mina foi redescoberta nos anos 1950 e está aberta para visitas todos os dias, das 8h às 17h. Os túneis estão localizados abaixo do centro histórico de Ouro Preto. A entrada fica na Rua Dom Silvério, próxima à Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

 

Diamantina

Outra cidade que merece a visita e que nasceu no Ciclo do Ouro foi Diamantina, a 300 quilômetros de Belo Horizonte. Assim como Ouro Preto, também recebeu o título de Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Mas em vez de ouro, o forte da exploração por lá eram os diamantes.

Diamantina é uma importante cidade histórica de Minas Gerais.

A corrida pelos diamantes começou em 1729, quando a cidade também cresceu bastante, recebendo pessoas escravizadas e homens endinheirados do Brasil colonial. Uma das pessoas permitidas pela Coroa Portuguesa para explorar as minas foi João Fernandes de Oliveira, que viveu com a negra alforriada Chica da Silva.

Por causa dele, Chica da Silva passou a ser chamada oficialmente de Francisca da Silva de Oliveira. O casal teve 13 filhos e todos receberam o sobrenome do pai. Localizada no centro histórico de Diamantina, a Casa de Chica da Silva está aberta para visitação de terça a sábado, das 12h às 17h30, e aos domingos, das 14h às 18h.

 

São Paulo

Historicamente, a formação da cidade de São Paulo está ligada à reunião de muitos brasileiros vindos de todas as regiões do país. O lugar é multicultural por natureza e tem também na cultura negra elementos fundamentais para o seu rico desenvolvimento patrimonial e artístico!

O samba na laje, as tradicionais escolas de samba, as comunidades quilombolas urbanas, entre outros movimentos de fundamentação afrocentrada são vistos por lá. Mas também bens e monumentos históricos ligados à construção e importância de pessoas negras, como a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e a estátua de Luiz Gama, advogado, jornalista e escritor abolicionista brasileiro.

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos fica no Largo do Paiçandu, centro histórico da cidade de São Paulo.

Vale visitar o imponente Museu Afro Brasileiro, no parque do Ibirapuera. O espaço cultural é um dos mais importantes do mundo em explorar o tema da construção da diáspora afro.

O Museu Afro Brasileiro, em São Paulo, é um dos mais importantes espaços de arte etnográfica do mundo.

Já a Discopédia é outro ponto para você explorar o afroturismo por São Paulo. Considerada uma das festas mais legais da cidade, a parada musical é realizada às terças-feiras em um prédio histórico de frente para a Avenida São João.
Soul das antigas, hip hop, rap e funk formam o set list deste espaço que é um verdadeiro orgulho da cultura negra no estado.

Mas ainda há muito o que explorar sobre a história do povo negro ao redor do mundo. Conheça, também, destinos internacionais que têm buscado explorar as possibilidades em termos de turismo afro referenciado.

 

África do Sul

A exuberante África do Sul atrai turistas em busca da ancestralidade africana.

Visitar a África do Sul é se deparar com um lugar vibrante e multicultural que preserva uma tradição riquíssima. Esse é um dos principais destinos quando se pensa em conhecer o continente africano! O país apresenta uma das melhores infraestruturas turísticas de toda região.

Ainda foi palco do regime segregacionista do apartheid, um dos capítulos mais tristes da história e importantes na luta social e, depois, de conquista democrática para a população negra no mundo.

Portanto, na África do Sul você vai encontrar opções que exploram a arte, a música, a dança, a literatura, a gastronomia e a natureza impressionante em um safári africano. São muitas opções para explorar em Joanesburgo, Cape Town, Porto Elizabeth, Cidade do Cabo, entre outras cidades deslumbrantes!

Além disso, algumas paradas históricas são obrigatórias por lá. A Casa de Nelson Mandela fica em Soweto, bairro da capital Joanesburgo criado para concentrar a maior população de negros do país. A história dessa liderança negra, conhecida por ter lutado pelo fim do apartheid, está fortemente marcada nessa casa.

A Casa de Nelson Mandela é um dos pontos mais visitados de Soweto, na África do Sul.
Créditos: Divulgação / IH Johannesburg.

Para explorar ainda mais o roteiro de valorização da história e ancestralidade negra na África do Sul, vale conhecer pontos como o Museu do Apartheid e o Constitution Hill (Tribunal Constitucional da África do Sul).

Mas, se você quer conhecer um verdadeiro paraíso, que une arte e música voltada para a cultura negra na atualidade, tem que entender melhor sobre os festivais de música afro na África do Sul. Vem com a gente?

 

Festivais de música afro

A mistura e combinação de ritmos típicos como o iorubá, jazz, punk, funk, highlife e percussão africana fazem da África do Sul um espaço perfeito para a realização de grandes festivais de música.

Entre os mais conhecidos estão o “Afrikaburn”, o “Cape Town Jazz Festival”, o “Ultra” e um dos mais importantes festivais de música e cultura afro do mundo, o Afropunk Fest.

Com edições anuais, o Afropunk está presente em Joanesburgo desde 2019 atraindo muita arte, música, moda, ativismo interseccional e celebração da cultura negra de uma forma histórica!

Além das muitas atrações, o evento é conhecido por construir um movimento contemporâneo na cidade de exaltação e representatividade negro africana de uma forma única.

O termo Afropunk se refere à participação de afrodescendentes no cenário musical do punk. Créditos: Reprodução / Everfest.

 

A festa já aconteceu em épocas diferentes do ano, tendo sido realizada na capital da África do Sul, no mês de abril, mas também durante o mês de dezembro. Por isso é importante ficar atento às datas e divulgação da lista de atrações por lá!

Edições emblemáticas do Afropunk, que teve início no Brooklyn e foi organizado por James Spooner, em 2005, também costumam acontecer em Londres, Paris e Nova York. No Brasil, as cidades de Salvador e São Paulo já realizaram o festival.

 

Estados Unidos

Os becos estreitos do Brooklyn, em Nova York, contam muito sobre a presença da cultura negro africana nos Estados Unidos.

A identidade da cultura norte-americana foi muito influenciada pela cultura afro descendente. Os Estados Unidos também é muito marcado pela exploração da mão de obra africana durante o período escravista. Ao longo dos séculos, se mantém vivas as tradições culturais, práticas, valores e crenças de origem afro no país.

Desse modo, a cultura afro-americana é uma mistura de muitas Áfricas. E em quase todas as regiões dos Estados Unidos é possível ver as marcas da cultura negra de forma enraizada.

 

Bairros negros estado-unidenses

No entanto, alguns destinos se destacam e apresentam de forma significativa características importantes das populações negras de descendência africana. Os bairros do Brooklyn e Harlem, em Nova York, são considerados núcleos da cultura afro-americana dos Estados Unidos.

Os lugares oferecem muita música, arte e gastronomia de diferentes épocas até os atuais movimentos urbanos! Uma dica nesse sentido é visitar o Apollo Theater, casa de teatro e clube no Harlem conhecida por ter consagrado grandes nomes da música no Jazz e Soul, tal como o icônico James Brown.

O tradicional Apollo Theater prestou uma homenagem à contribuição de James Brown para a cultura negra.

De fato, estes não são simplesmente roteiros turísticos incríveis, mas uma forma de você conhecer a história da população negra e afrodescendente ao redor do mundo!

Inclua os destinos afrocentrados nas suas próximas viagens e deixe que a 123Milhas te proporcione as melhores e mais ricas experiências já.

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