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Importância do turismo LGBTQIA+

Você sabe qual é a importância do turismo LGBTQIA+? De maneira geral, representa a garantia de segurança e acolhimento para todas as pessoas, independentemente da orientação sexual ou do gênero. Os chamados “destinos gay-friendly” apoiam e protegem a comunidade, de modo que os turistas sejam bem-recebidos e não passem por situações de violência ou de constrangimento. 

Muitas pessoas questionam o que de fato é o turismo LGBTQIA+, mas não é nada além do respeito à comunidade. Pode parecer óbvio, porém, infelizmente, a realidade é outra. O medo da discriminação e da hostilidade é constante, principalmente porque esse público corre perigo ao frequentar muitos lugares.

É válido ressaltar que esse nicho de turismo faz parte de todo o mercado de viagens. Entretanto, não existem destinos específicos para a comunidade LGBTQIA+, e sim lugares onde ela estará mais segura. E esse público marca presença em setores diversos, como passeios para casais, famílias, terceira idade, aventura, etc. 

 

Crescimento do setor

O turismo LGBTQIA+ tem grande potencial e está em constante crescimento. Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Turismo LGBT (ABTLGBT), tal nicho cresce, aproximadamente, 11% ao ano, enquanto o convencional aumenta 3,5%. 

De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMT), a comunidade movimenta anualmente US$ 3 bilhões.

Em alguns casos, as viagens estão relacionadas a eventos. A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, em 2019, trouxe um lucro de R$ 403 milhões para a cidade.

A Parada do Orgulho LGBT de SP é uma das maiores do mundo

 

Entendendo a sigla 

Os termos usados para identificar a comunidade evoluíram com o tempo. Inicialmente, empregava-se apenas a palavra “gay”. Nos anos 1990, surgiu no Brasil a sigla GLS, que englobava Gays, Lésbicas e Simpatizantes. Na mesma época, começou a ser usada a sigla LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) no cenário internacional. 

Com o passar do tempo, o termo incluiu mais pessoas, considerando todas que não são heterossexuais e/ou cisgêneros (quem se identifica com o gênero atribuído ao nascimento). Entenda cada uma das letras:

  • L (Lésbicas): para mulheres que se relacionam com pessoas do mesmo gênero (mulheres).
  • G (Gays): homens que se relacionam com pessoas do mesmo gênero (homens).
  • B (Bissexuais): pessoas que se relacionam com ambos os gêneros (mulheres e homens).
  • T (Transgênero): não se refere à orientação sexual, e sim à identidade. A letra engloba transexuais (indivíduo que se identifica com um gênero diferente do sexo biológico) e travestis (não se restringe à identificação como mulher e tampouco como homem e utiliza pronomes femininos).
  • Q (Queer): a palavra surgiu no final dos anos 1980, nos Estados Unidos, e engloba uma identidade não binária, ou seja, aquele que não se identifica nem como homem nem como mulher, independentemente do que lhe foi atribuído ao nascer.
  • I (Intersexo): aplica-se a pessoas que nasceram com características que não se encaixam às definições típicas de mulher ou de homem.
  • A (Assexual): a assexualidade se refere a quem não sente atração pessoal por outras pessoas.
  • + (Mais): o sinal de mais engloba outras possibilidades de orientação sexual e gênero, como pessoas não binárias ou pansexuais. 

 

Violência contra a comunidade LGBTQIA+

Uma pesquisa realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entre 2015 e 2017 apontou que, a cada hora, uma pessoa LGBTQIA+ era vítima de violência no Brasil. É importante destacar que esses dados são apenas das ocorrências notificadas e não representam o número total de casos.

As denúncias mais comuns são de violência física, mas essa é só a “ponta do iceberg”. A comunidade também sofre com agressões verbais, ameaças, assédio moral, proibições de livre movimentação, etc.

A homofobia no Brasil só passou a ser considerada crime em 2019, e o país foi o 43º a adotar a lei. Enquanto isso, a homossexualidade é ilegal em 69 nações, sendo passível até de pena de morte em alguns lugares. 

 

Destinos nacionais

 

São Paulo

São Paulo é um destino muito famoso pela Parada do Orgulho LGBT, que é realizada anualmente em junho, desde 1997. O evento é um dos maiores do mundo e entrou para o Livro dos Recordes, edição de 2011, que contou com 4 milhões de pessoas. A importância é tão grande que a Parada de SP serviu de locação para a série Sense8 em 2016.

 

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Uma publicação compartilhada por Sense8 (@sense8)

A série Sense8 gravou cenas na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo

Além do evento anual, a cena paulistana é marcada pela diversidade e pela receptividade à “comunidade”. A Rua Augusta é um ponto de pluralidade e oferece baladas, bares e restaurantes para vários tipos de tribos. Lá você também encontra lojas, salões de beleza, cinemas, teatros e outros estabelecimentos. Os locais concentram-se, sobretudo, na chamada Baixa Augusta, localizada no eixo norte da rua, a partir da Avenida Paulista. 

É em São Paulo que está o Museu da Diversidade Sexual, localizado na estação de metrô República. É o primeiro da América Latina com essa temática e tem como objetivo preservar o patrimônio social, cultural e político da comunidade no Brasil. As exposições são temporárias e abrangem os diferentes grupos da sigla. O museu abre de terça a domingo, das 10h às 18h, e tem entrada gratuita.

O Museu da Diversidade Sexual fica na estação República do metrô

Confira aqui os pontos turísticos imperdíveis da metrópole brasileira. 

 

Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro também é um destino gay-friendly, procurado tanto por brasileiros quanto por turistas estrangeiros. Além de ser uma cidade muito bonita, o Rio oferece segurança e espaços de lazer e entretenimento a pessoas LGBTQIA+.

Um dos locais mais famosos pela pluralidade é o Posto 9 da Praia de Ipanema. O trecho é sinalizado por uma bandeira do arco-íris, que garante o acolhimento na Cidade Maravilhosa. O Quiosque Rainbow, em Copacabana, também marca presença no cenário carioca. 

Uma bandeira colorida marca o Posto 9 da Praia de Ipanema.

Os blocos de Carnaval promovidos e voltados para pessoas da comunidade são o grande destaque na folia. A celebração da diversidade é famosa nos blocos Amigos da Onça, Toco-Xona e Saymos do Egyto.

Descubra quais lugares não podem faltar no roteiro de viagem à Cidade Maravilhosa.

 

Belo Horizonte

Belo Horizonte também é um destino popular pelo turismo LGBTQIA+. A capital mineira é conhecida pela hospitalidade, que também abraça a pluralidade e a diversidade. Em 2017, a Secretaria de Turismo de BH filiou-se à International Gay & Lesbian Travel Association (IGLTA), organização mundial dedicada ao turismo da comunidade. 

A cidade abriga bares, clubes, saunas e baladas “coloridas”, a maioria concentrada nos bairros Savassi e Centro. O BH Plural teve sua segunda edição em 2021 e é uma iniciativa com a intenção de fomentar esse nicho de turismo. O evento contou com palestras, shows e atividades culturais relacionadas à inclusão da comunidade. 

Segundo a Rede de Comunicação Guiya, BH ocupa o 2º lugar no ranking de circuito colorido do Brasil.

Saiba tudo sobre as opções de turismo em BH.

 

Destinos internacionais

 

São Francisco – Estados Unidos

São Francisco, na Califórnia, marca presença na receptividade e na história da luta pelos direitos da população LGBTQIA+. A bandeira do arco-íris, destinada ao movimento, foi criada na cidade, em 1978, pelo artista Gilbert Baker. 

A bandeira do arco-íris foi criada em São Francisco.

A cena colorida surgiu no Castro, o primeiro bairro declarado como gay no mundo. Durante a II Guerra Mundial, todos os militares americanos suspeitos de serem homossexuais eram enviados a uma base em São Francisco, onde eram avaliados, e ali o futuro na corporação era decidido. Muitos dos dispensados ficaram na cidade e se concentraram nesse bairro, principalmente pelo baixo preço dos imóveis. Com o tempo, mais pessoas da comunidade migraram para lá, por ser considerado um lugar mais liberal. Foi lá que surgiram os primeiros bares “coloridos” do estado e onde Harvey Milk, o primeiro político abertamente gay, foi eleito para um cargo público na Califórnia, como supervisor de São Francisco. Milk foi muito importante para a aprovação de leis que garantiram os direitos da comunidade. Essa também foi a primeira cidade norte-americana a autorizar legalmente o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, em fevereiro de 2004.

A primeira Parada do Orgulho Gay em São Francisco se deu em 1970, no Golden Gate Park.

A primeira Parada do Orgulho Gay em São Francisco se deu em 1970, no Golden Gate Park.

A cidade de São Francisco foi palco de diversos outros eventos e lutas LGBTQIA+ e, por isso, é um destino escolhido pelo público. As ruas são repletas de bandeiras coloridas e memórias como o Pink Triangle Memorial, um monumento dedicado às pessoas da comunidade assassinadas durante o regime nazista.

A história, os conflitos e as conquistas tornam a cidade um lugar muito especial e com muitos ensinamentos sobre a importância da garantia de direitos. 

Outros pontos turísticos incluem a Golden Gate Bridge, ponte vermelha de 2.737 metros que liga São Francisco a Sausalito, e a Lombard Street, rua íngreme com curvas em zigue-zague que foi cenário de filmes como Doce Novembro (2001) e Blue Jasmine (2013). 


A Lombard Street é uma das ruas mais famosas da Califórnia.

 

Cidade do Cabo – África do Sul

A Cidade do Cabo, na África do Sul, também se destaca pelo acolhimento à diversidade. Foi o quinto país do mundo ocidental a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2006. O município também é conhecido pelo Cape Town Pride, festival anual que celebra o orgulho LGBTQIA+.

A África do Sul é um dos destinos mais seguros para a comunidade LGBTQIA+.

A “cena colorida” marca presença na vida noturna da Cidade do Cabo, com diversas opções de bares, boates, restaurantes e outros espaços de lazer. 

A moeda usada na África do Sul é o rand, que vale R$ 0,35. Como é difícil de ser encontrado no Brasil, é recomendável que você leve dinheiro em dólar para conseguir trocar lá. Para facilitar seu cálculo de gastos, vamos colocar os valores em dólar, pois é o que você gastará inicialmente. 

O destino é repleto de pontos turísticos que encantam todos os visitantes. A Boulders Beach é uma praia conhecida por abrigar uma colônia com cerca de 2 mil pinguins. A entrada é paga e custa US$ 4,99 para adultos (cerca de R$ 26). Você pode ver os animais pelo deck ou ir à areia e chegar bem pertinho deles. Lembre-se de que é proibido encostar nas aves ou alimentá-las. O horário de funcionamento da Boulders Beach é o seguinte:

  • Dezembro e janeiro: das 7h às 19h30
  • Fevereiro e março: das 8h às 18h30
  • Abril a setembro: das 8h às 17h
  • Outubro e novembro: das 8h às 18h30

Veja pinguins de pertinho na Boulders Beach.

Outro lugar que atrai turistas é o Kirstenbosch National Botanical Gardens, um dos maiores jardins botânicos do mundo, com mais de mil espécies de plantas. Coloque sapatos e roupas confortáveis para explorar toda a biodiversidade do parque e aproveite para também fazer um piquenique.

O ingresso para o Kirstenbosch custa US$ 13,14 (cerca de R$ 69,20), para adultos, e US$ 1,64 (R$ 8,65), para crianças e adolescentes de até 17 anos. Menores de 5 anos não pagam. O parque abre, diariamente, das 8h30 às 17h30. 

O Kirstenbosch é um dos maiores jardins botânico do mundo.


A importância do turismo LGBTQIA+ se refere, sobretudo, ao direito de viajar e à garantia de segurança e acolhimento. Antes de ir a qualquer destino, é recomendado que as pessoas da comunidade se certifiquem se os seus direitos são assegurados no local.