Lifestyle

O que é turismo acessível?

Você sabe o que é turismo acessível? Essa modalidade é caracterizada por práticas que promovam o acesso fácil, seguro e com autonomia para pessoas com deficiência (PcD) e mobilidade reduzida. As ações devem abranger locais turísticos tanto públicos como privados. 


A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência orienta que os países adotem medidas que assegurem o acesso em igualdade de oportunidade ao meio físico, ao transporte, à informação e à comunicação. Dessa maneira, os governos devem reconhecer o direito de que todos participem da vida cultural e possam usufruir de teatros, museus, cinemas, bibliotecas, parques, monumentos e outros locais turísticos. 

Entrevistamos Daniel Francisco de Melo, que é uma pessoa com deficiência, e usuário de muletas, formado em administração e trabalha atualmente na Gasmig para nos contar um pouco da sua experiência viajando pelo Brasil. Ele começa elogiando que “na maioria das vezes as empresas aéreas têm estrutura para auxiliar os cadeirantes e fazem isso muito bem, deixando pessoas já disponíveis para nos ajudarem em diferentes situações.”

Na hora de dar a dica de destinos, uma das melhores viagens que Daniel fez foi para Natal. O entrevistado relata: “Gostei muito do clima e das pessoas. Foi o maior litoral que conheci. E em termos de acessibilidade foi de certa forma tranquilo e não tive grandes problemas.” Mas apesar de ter adorado o lugar, Daniel completa que faltava estrutura de rampa em caracol, por exemplo, para facilitar a chegada às praias, que acabou sendo um obstáculo. 

O administrador fala também de “Gramado, onde fiquei noivo. Muito linda a cidade. Conheci os vinhedos e é um lugar bacana para o portador de necessidade conhecer.”

No caso dos pontos turísticos em geral, “como nosso país não tem a estrutura, que deveria ser oferecida pelos Órgão Públicos, nós quem temos que nos adaptar. Eu vou na cara e na coragem mesmo! Gosto de me aventurar.” Inclusive o administrador conta que já fez muita viagem sozinho!

Daniel dá mais algumas dicas que considera importante para um portador de necessidades viajar. “No momento da compra da passagem, já indicar que é portador e solicitar o auxílio com antecedência. Sentar na poltrona da frente que tem mais conforto. E em relação aos hotéis, uma coisa muito importante, é ligar para o hotel antes de fechar, para saber se tem o quarto habilitado e com estrutura. Mas a maioria já tem se adaptado para receber os portadores de deficiência”.

Daniel fecha dizendo que “A dica geral que dou é que nem todos os lugares estão adaptados para nos receber, mas não deixe de conhecer por causa disso. Peça ajuda e vá com alguém. As coisas estão melhorando. Mas não deixe de fazer uma viagem por isso.”

Meios de transporte adaptados compõe o turismo inclusivo

As principais características do turismo de inclusão englobam medidas como:

  • Atendimento prioritário;
  • Autorização de entrada e permanência de cão-guia;
  • Funcionários treinados para receber e auxiliar pessoas com deficiência;
  • Atendimento em linguagem de sinais;
  • Vagas reservadas;
  • Piso antiderrapante;
  • Adaptação dos espaços com rampas, elevadores, barras de apoio, espaço para circulação de cadeira de rodas.

Como forma de garantir o cumprimento dessas ações, o Brasil conta com o Programa Turismo Acessível, que busca promover a igualdade de oportunidades. Uma das medidas adotadas foi a elaboração de uma cartilha. O material orienta sobre a importância do turismo de inclusão e quais intervenções devem ser feitas nos espaços públicos e privados. 

É essencial que pontos turísticos ofereçam um atendimento em linguagem de sinais

Também foi criado um aplicativo onde os usuários podem avaliar a acessibilidade de pontos turísticos, hotéis, restaurantes, lojas, supermercados e atrações. Assim, pessoas com deficiência podem pesquisar previamente quais locais promovem maior autonomia e liberdade. O app Turismo Acessível está disponível para celulares Android e IOS.  

 

Principais fatores

Os principais fatores que influenciam na escolha de um destino turístico de acordo com a acessibilidade incluem: 

  • Acesso às atrações e eventos;
  • Garantia de respeito e segurança;
  • Facilidade de conseguir informações; 
  • Espaços públicos, meios de transporte, banheiros e restaurantes prontos para receber PcD;
  • Disponibilidade de hotéis adaptados. 

A permissão de entrada e permanência de cão-guia se enquadra como turismo inclusivo

Destinos acessíveis nacionais

O Brasil é reduto de um povo acolhedor. Portanto, oferecer o turismo acessível integra parte das ações de destinos nacionais. O Conexão123 separou algumas regiões que propiciam adaptações aos PcDs. 

 

Rio de Janeiro (RJ)

O Rio de Janeiro reforçou as medidas para um turismo de inclusão principalmente para sediar as Paralimpíadas de 2016. Atrações famosas como o Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Parque Nacional da Tijuca, Jardim Botânico e Centro Cultural Banco do Brasil estão preparados para receber com segurança pessoas com deficiência.

As praias da Barra, Copacabana e Leblon também foram adaptadas com esteiras que facilitam o acesso, disponibilização de cadeiras anfíbias, profissionais treinados para auxiliar e orientar, etc. Além disso, acontecem atividades adaptadas como frescobol e vôlei sentado aos finais de semana. 

 

Foz do Iguaçu (PR)

Foz do Iguaçu, famosa pelas cataratas, também está preparada para receber turistas com deficiência. O Parque Nacional de Iguaçu, por exemplo, conta com passarelas e elevadores no lado brasileiro. Já na parte argentina, duas das três trilhas são adaptadas para que todos possam fazer o passeio. Além disso, o local também conta com ônibus de circulação no interior do parque. 

Outros pontos turísticos como o complexo da usina de Itaipu, o Parque das Aves e o Macuco Safari também asseguram o acesso amplo e seguro. 

 

Bonito (MS)

A cidade de Bonito, popular entre os amantes do turismo sustentável, ecológico e de aventura, também conta com infraestrutura para receber todas as pessoas. 

Atividades como trilhas, rapel, mergulho, flutuação e descida de bote estão adaptadas para oferecer passeios seguros, principalmente com a capacitação de guias. O município e as agências de turismo investem na inclusão desde 2010, com destaque para as atrações: Aquário Natural, Nascente Azul, Abismo Anhumas e Buraco das Araras. 

A instalação de rampas é importante para facilitar o deslocamento de PcD

Confira outras cidades brasileiras inclusivas para pessoas com deficiência. 

 

Destinos acessíveis internacionais 

Em outras partes do mundo também existem regiões que se preocupam com a acessibilidade das pessoas com deficiência. Afinal, viajar é aproveitar as singularidades dos destinos. Por isso, listamos alguns lugares que oferecem as adaptações necessárias aos viajantes que precisam.  

 

Buenos Aires (Argentina)

Em 2019, Buenos Aires lançou um guia para facilitar o turismo de PcD. O material também inclui informações sobre as cidades  de La Plata, Bahía Blanca e Mar del Plata. Além do espanhol, também está disponível em português, inglês e com audiodescrição. 

O manual indica quais lugares contam com assistência para pessoas com: 

  • Deficiência auditiva: atendimento em linguagem de sinais e anel magnético;
  • Deficiência física ou mobilidade reduzida: com rampa, plataforma de elevação, banheiros e espaços adaptados;
  • Deficiência visual: braille, descrição em áudio e piso tátil;
  • Deficiência intelectual: visita guiada.

O guia é dividido em roteiros para diferentes regiões da capital argentina como: San Telmo, San Nicolás, Recoleta, Puerto Madero, etc. Em cada parte há explicações sobre a acessibilidade em pontos turísticos, meios de transporte, vias, hotéis e restaurantes. Além de textos, as informações também são dadas através de fotografias, ilustrações, mapas e símbolos para facilitar a identificação. 

As atrações em Buenos Aires com maior acessibilidade são o Teatro Cólon, Galerías Pacífico, Estádio La Bombonera, Jardim Japonês, Bosques de Palermo e a maioria dos museus. 

A instalação de piso tátil faz parte das medidas para o turismo inclusivo

 

Hong Kong (China)

Hong Kong, uma região administrativa especial da China, é considerado um dos destinos mais acessíveis da Ásia. Estações de metrô com elevador ou rampa, banheiros e hotéis adaptados, plataformas de conexão e calçadas amplas compõem a cidade e facilitam o deslocamento. 

No aeroporto, todas as PcD podem solicitar assistência à companhia aérea, tanto na chegada quanto na partida. O serviço é gratuito e personalizado. 

Boa parte dos pontos turísticos de Hong Kong são inclusivos e funcionam da mesma maneira para todos os visitantes. O Sky100, por exemplo, um mirante no 100º andar de um arranha-céu, é acessado por um elevador. Já para chegar à montanha Victoria Peak, é necessário pegar um funicular para chegar ao terraço.

Outras atrações como o Museu de História, o Centro Cultural e o Mongkok Flower (mercado de flores) também têm acesso adaptado. 

 

Lisboa (Portugal)

Portugal é um país que se destaca pelo turismo acessível. Em 2019, ganhou um prêmio da Organização Mundial de Turismo (OMT) que reconhece as medidas de adaptação implementadas nos pontos turísticos, restaurantes, transportes e outros espaços públicos. 

Para facilitar a viagem de PcDs, foi elaborado um guia de turismo acessível para Lisboa. O material tem mapas detalhados que indicam como:

  • Melhores trajetos e quais podem gerar dificuldades;
  • Locais (incluindo pontos turísticos, restaurantes, lojas e acomodações) e meios de transporte adaptados;
  • Estacionamentos reservados e a distância;
  • Espaços onde a pessoa pode encontrar adversidades como piso irregular, inclinações, etc;
  • Praias equipadas com cadeira anfíbia, rampas e profissionais disponíveis para auxiliar;
  • Serviços de transfer, táxi e transporte turístico (no estilo city tour) com estrutura adequada. 

Lisboa também oferece a assistência gratuita e personalizada no aeroporto para pessoas com deficiência. O atendimento é chamado de MyWay e deve ser solicitado à companhia aérea com 48h de antecedência. 

Os pontos turísticos mais preparados para atender todos os públicos são o Museu Nacional do Azulejo, o Museu Nacional da Arte Antiga, o Teleférico e o Oceanário. 

Banheiros adaptados fazem parte das medidas para o turismo acessível

Acessibilidade na Europa

O turismo adaptado é um ponto forte e valorizado na Europa. Desde 2011, a União Europeia nomeia a cidade mais acessível e que apresentou mais soluções e melhorias. O reconhecido é chamado de Access City Award (Prêmio de Cidade Adaptada) e já foi dado às cidades:

  • 2011: Ávila (Espanha);
  • 2012: Salzburgo (Áustria);
  • 2013: Berlim (Alemanha);
  • 2014: Gotemburgo (Suécia);
  • 2015: Borås (Suécia);
  • 2016: Milão (Itália);
  • 2017 Chester (Reino Unido);
  • 2018: Lyon (França);
  • 2019: Breda (Holanda);
  • 2020: Varsóvia (Polônia);
  • 2021: Jönköping (Suécia);
  • 2022: Luxemburgo (Luxemburgo).

O serviço MyWay garante assistência gratuita no aeroporto de Lisboa

De maneira geral, a importância do turismo acessível é garantir que todas as pessoas consigam usufruir da vida cultural, transportes e lugares públicos de uma cidade. Aproveite para entender tudo sobre a inclusão de pessoas com autismo no turismo.